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Escrava


Teu poema, inclemente, me encarcera,
umedecendo, de gozo, os meus versos.
Espancando, com a pena, as minhas rimas,
se assanha, feito bicho, entre meus seios.
 
Teus dedos em tuas mãos; ágeis tentáculos,
aprisionam de vez minhas vontades,
deixando-me à mercê dos teus domínios,
amarrando-me os pulsos, como escrava.
 
O ar que me vem é da tua boca.
Meus gemidos, quem sufoca é tua língua.
Teu verbo, desconexo aos meus ouvidos,
me faz louvar - indecente - o teu nome.
 
Em minha barriga, passeia impune, o teu falo.
Sob teu corpo, o meu, é prazer e desgoverno.
Entre minhas coxas, tu desenhas a tua fúria,
em teu pescoço, cravo dentes de poesia..
 
Mariza Lourenço

Uma mulher

Uma mulher caminha nua pelo quarto
é lenta como a luz daquela estrela
é tão secreta uma mulher que ao vê-la
nua no quarto pouco se sabe dela
a cor da pele, dos pêlos, o cabelo
o modo de pisar, algumas marcas
a curva arredondada de suas ancas
a parte onde a carne é mais branca
uma mulher é feita de mistérios
tudo se esconde: os sonhos, as axilas,a vagina
ela envelhece e esconde uma menina
que permanece onde ela está agora
o homem que descobre uma mulher
será sempre o primeiro a ver a aurora.

Bruna Lombardi


ROSA

" A Rosa no meu leito
Seu corpo ao meu deleite
O aroma da Rosa
No Ar...
Assim como o meu gosto,
No seu paladar "

(Rosane Lima)





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Teu corpo seja brasa

teu corpo seja brasa
e o meu a casa
que se consome no fogo
um incêndio basta
pra consumar esse jogo
uma fogueira chega
pra eu brincar de novo

Leila Mícollis



 

 

Elegia a uma mulher desconhecida


Estivesse tu perto de mim
te faria comer este poema
e depois de juntar
meu corpo ao teu
ver-te-ia exalar com
odores inebriantes
letras de um desejo cego
de contensão:

A arte de te amar em versos.


Bené Chaves
 



 

meia noite em arrepios

ventos! carreguem os meus desejos
deposite-os no corpo da mulher
que sonha cometas
incêndios
gotas de orvalho e setas

beto muniz



 

acordado

que seja o teu querer
a exata medida do meu:
somente amanhecer
por saber que o gosto de nós
ainda nos cobre por lençol
e que todas as palavras
com todas as suas curvas
jamais descreveriam
as minhas nas tuas

antoniel campos



 

VOCÊ

Quando lembro de você,
Lembro dos seus olhos,
Da sua boca,
Das suas mãos,
Do seu corpo...
Lembro daquele olhar
Querendo dizer algo,
Imaginando loucuras,
Olhar de cobiça,
de gula...
Lembro dos seus lábios,
nos meus,
beijos quentes,
loucos beijos,
desejados há tempos...
Mãos alisando meu corpo,
Acariciando meu rosto,
Meu colo,
Meu ventre...
Tudo isso em pouco tempo,
Mas tempo suficiente
Para saber que você me quer
Assim como te quero,
Homem/Amante/Amigo...

Rosane Lima




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Vem

Vem de mãos vazias
Não me tragas nas mãos flores
Que as tuas mãos não tenham
De flores odores
E cheiros que não os meus.
Vem de olhos limpos
De outros que os habitaram
Que os teus olhos sejam só dos meus morada
Que neles só eu me veja
Que neles só esteja eu.
Vem sem lembranças e sem passado
Dar-me-ei tão completamente
Que em ti só eu serei presente
E em todos os corpos que te amarem
Verás e sonharás o meu.

Encandescente

Á flor da pele

Tenho tantos poemas de amor na pele
Á flor da pele
Que só a minha pele não chega
E tenho de os escrever na tua.
Tenho tanta paixão dentro
Que o meu corpo não a comporta
Porque é só um corpo
Por isso no teu a derramo
Dividindo-a por dois.
Tenho tantas palavras por dizer
Que a voz se me embarga
As palavras se atropelam
Por isso te beijo
As digo na tua boca
As guardo em ti.
Para que sendo dois
Digas as palavras
Quando me atropelarem
Quando a voz se me embargar
Quando me sufocarem a mim.

Encandescente

O LIVRO

Encandescente

visite...vai amar...

http://encandescente.home.sapo.pt/

 

Longe, aqui do meu lado

Como pude me apaixonar por tua voz, pelo teu timbre adormecido e sonolento;
pelos dizeres "bom dia" numa manhã nebulosa...
Estou tão distante de teus olhos (dentro de teu peito),
estou tão adormecido no teu sonho que me vejo ao teu lado...
Teu beijo desejado quando desperto, tua mão que me toca quando dela preciso,
teu calor que me aquece à noite sem se quer estar em teu ninho;
são sonhos dos quais não quero acordar nunca.
E teu amor! Ah, Como é bom te amar!
Ter-te em meus braços, tocar-te de maneira singular e única...
Sentir o calor teus poros e frescor de teus lábios... como pode?
Todas as noites são minha tormenta; minto!
é minha salvação!
Tenho-te aqui; tão carinhosa, tão apaixonante, tão mulher...
Como pode dois seres como nós viver asssim: eu louco por você e você por mim?
Somos dois alucinados a bailiar pela madrugada na dança compulsiva de nossos
corpos.
Somos meros artistas no palco do amor que merecemos aplausos;
merecemos gozar no final...
Pecaminosamente de desejo inocente.
Ilusoriamente te amo de verdade;
não no sentimento que sinto,
mas na ausência do teu corpo no meu leito...
Não há luz, não há trevas!
Há unicamente sentimento...
e eu te sinto aqui, ali, em tudo que me cerca;
e o que me cerca, é a certeza de te amar.

Carlos Magno

http://poemas-de-amor.net/longe_aqui_do_meu_lado

Um lindo e maravilhoso Ano a vocês...beijos..



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Magnólia

 
Dispo-te
Lentamente, beijo a beijo
Delicadamente desaperto
A seda que resvala
No teu corpo macio
E liberto

Outro beijo
Buscando as mais suaves
E profundas fontes

Quedo-me
Em comunhão suprema
Nas aragens do teu corpo
Penetro nos teus olhos
Acordo no teu rosto
Brotas dos meus dedos

Detenho-me
E olho-te nua
Plena, bela, minha
Que o amor criou
Em vagas de desejos
Despida por minhas mãos,
Meus beijos…

 

Clandestinas madrugadas


Quando
A noite geme
Baixinho
E vagueamos
Clandestinas madrugadas

Quando
Te encolhes
No meu peito
Silencias nos meus braços
E te fazes tão imensa

Quando
O desejo nos enlaça
E as mãos se libertam
Ansiosas

Quando
O fogo nos consome
Num ímpeto de prazer
E de calor
Há momentos de sonho
E aventura
Há rios de amor
E de ternura
Há palavras rubras
De desejo
Há infinitos por detrás
De cada beijo
Há um corpo ardente
Que se abraça
Há lábios de fogo
E de loucura
Sedentos de beber
Na mesma taça

 

Gotas de desejo

Chove
Sinto a chuva a escorregar
Distraidamente
Ao longo do meu corpo
Como um desejo líquido
Delicado como asas de pássaro
Que me levam num voo
Indecifrável
Desvendando os segredos
No espaço que invento

Cada gota de chuva
São pedaços de sonho
Vestígios de um dançar divino
Que nem os anjos ousam igualar

Vagueio num corpo imaginário
E rasgo as minhas veias
Para que os rios de sangue
Absorvam cada gota de chuva
E saciem a sede do desejo

Oculto de mim as próprias mãos
Para que não fujam
Apressadas
Em busca da tua ausência.

Procuro os sorrisos que rasgaste
E o perfume azulado
Que escondeste em cada gota
Desta chuva fria e lenta
Que aos poucos vai cessando...

A minha pele cheira a madrugada
Mas as gotas permanecem
Lascivas de orvalho
No supremo gozo de ouvirem
Os últimos suspiros

Sinto o calor dos teus lábios
No desejo de beber
Esta água de chuva
Que gota a gota
Escorre da minha pele
Distraidamente
Como um desejo líquido
Ao longo do meu corpo...


frog


http://outravoz.blogspot.com/

Esse é o livro do querido amigo frog...lançou agora no dia 10 de Dezembro ....visitem seu blog e saibam mais sobre ele e sua obra....beijos e lindo final de semana a todos..



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DOMINAÇÃO


À tua língua permito açoitar-me os seios

Pois além de ti, a ninguém mais, me submeto.

Se em tuas mãos, Senhor, é que navega o meu destino.

É neste corpo que deságuas teus delírios.

À dominação, ajoelho-me em abandono,

Implorando que me possua o corpo em fogo.

Tu me castigas e à insolência dos meus caprichos,

Cavalgando-me, como se fora eu, a tua puta.


Os meus gritos te excitam e descontrolam

E te curvas, martirizando-me o dorso.

Sinto-te inteiro: pele e pêlos, suor e gozo.

És meu agora, de tua serva, Senhor, meu dono.

Mariza Lourenço

http://marizalourenco.blogspot.com/

 
ELA NUA NA MANHÃ

Luiz Alberto Machado

Quando me procuras alucinada com teus desejos incontroláveis e teu semblante de deusa manhosa no cio, eu já te espero insone desde sempre para redimir meu suplício de querer-te robusta tenda do meu viver.

Vem, meu amor, que eu persigo a tua sina enlouquecida e nua para te fazer protagonista do meu triunfo perante a nobreza do teu corpo febril e desarvorado.

Vem, meu amor, vem me fartar com tua ardência rara e latejante da tua carne trêmula para me refugiar em tuas sinuosidades na acolhida dos teus braços aconchegantes, apertado ao teu seio de mamilos cheios, a me recolher no teu jeito singelo de me agasalhar no teu útero entusiasmado.

Vem, meu amor, que quero me sentir alentado pelo roçar de tua superfície sedosa sobre meu membro teso, me deleitando com a seiva do teu monte de Vênus que se contrai e se expande às minhas investidas acrobatas como troco de nossa entrega.

Vem, meu amor, que me esfregarei no teu fogo enquanto te contorces a clamar pelo meu nome com sabor de calda de morango na tua boca estuosa que faz da manhã de setembro o mar das nossas reinações.

Vem, meu amor, que o dia faiscando na luz dos teus olhos revelam meu gozo prenhe de paixão.

 Luiz Alberto Machado
 
http://novobloguerotico.blogspot.com/


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Florbela Espanca (1894-1930)

"Quem me dera encontrar o verso puro,
O verso altivo e forte, estranho e duro,
Que dissesse a chorar isto que sinto!"
 
 

Languidez

Fecho as pálpebras roxas, quase pretas,
Que poisam sobre duas violetas,
Asas leves cansadas de voar...

E a minha boca tem uns beijos mudos...
E as minhas mãos, uns pálidos veludos,
Traçam gestos de sonho pelo ar...



O post de hoje é para a grande poetisa e grande mulher: Florbela Espanca.

Em 08 de dezembro de 1894, Florbela nasceu.
Em 08 de dezembro de 1913, se casou.


http://www.beatrix.pro.br/literatura/florbela.htm

Em 08 de dezembro de 1894, Florbela nasceu.
Em 08 de dezembro de 1913, se casou.
Em 08 de dezembro de 1930, morreu.

E abaixo, um dos seus poemas mais lindos: 


 
FANATISMO

Minh'alma, de sonhar-te, anda perdida.
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão do meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!

"Tudo no mundo é frágil, tudo passa..."
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, digo de rastros:
"Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: Princípio e Fim!..."

 

Se tu viesses ver-me...

Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus braços...


Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca... o eco dos teus passos...
O teu riso de fonte... os teus abraços...
Os teus beijos... a tua mão na minha...


Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha e canta e ri


E é como um cravo ao sol a minha boca...
Quando os olhos se me cerram de desejo...
E os meus braços se estendem para ti...

Horas rubras

Horas profundas, lentas e caladas
Feitas de beijos sensuais e ardentes,
De noites de volúpia, noites quentes
Onde há risos de virgens desmaiadas ...


Oiço as olaias rindo desgrenhadas...
Tombam astros em fogo, astros dementes,
E do luar os beijos languescentes
São pedaços de prata p' las estradas...


Os meus lábios são brancos como lagos...
Os meus braços são leves como afagos,
Vestiu-os o luar de sedas puras...


Sou chama e neve branca e misteriosa...
e sou, talvez, na noite voluptuosa,
Ó meu Poeta, o beijo que procuras!

dados tirados desse site..leia mais...

http://www.beatrix.pro.br/literatura/florbela.htm



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