
Quando o Luar Caíu de Conceição Lima
Quando o luar caiu Quando o luar caiu e tingiu de escuro os verdes da ilha cheguei, mas tu já não eras.
Cheguei quando as sombras revelavam os murmúrios do teu corpo e não eras. Cheguei para despojar de limites o teu nome. Não eras.
As nuvens estão densas de ti sustentam a tua ausência recusam o ocaso do teu corpo mas não eras.

As Raízes de Nosso Amor de Geraldo Bessa Victor
Amo-te porque tudo em ti me fala de África, duma forma completa e envolvente. Negra, tão negramente bela e moça, todo o teu ser me exprime a terra nossa.
Nos teu olhos eu vejo, como em caleidoscópio, madrugadas e noites e poentes tropicais, visão que me inebria como um ópio, em magia de místicos duendes, e me torna encantado. (Perguntaram-me: onde vais? E não sei onde vou, só sei que tu me prendes...)
A tua voz é, tão perturbadoramente, a música dolente dos quissanges tangidos em noite escura e calma, que vibra nos meus sentidos e ressoa no fundo da minh'alma.
Quando me beijas sinto que provo ao mesmo tempo gosto do caju, da manga e da goiaba, - sabor que vai da boca até às vísceras e nunca mais acaba...
O teu corpo, formoso sem disfarce, com teu andar desgoso, parece que se agita tal como se estivesse a requebrar-se nos ritmos da massemba e da rebita. E sinto que teu corpo, em lírico alvoroço, me desperta e me convida para um batuque só nosso, batuque da nossa vida.
Assim, onde te encontres (seja onde estivesses, por toda a parte onde o teu vulto for), eu te descubro e elejo entre as mulheres, ó minha negra belamente preta, ó minha irmã na cor, e, de braços abertos para o total amplexo, sem sombra de complexo, eu grito do mais fundo de minh'alma de poeta: - Meu amor! Meu amor

Mulata de Tomaz Viera da Cruz
Os teus defeitos são graça que mais me prendem, querida... Mistério de duas raças que se encontram na vida.
E, no mato, em nostalgia, num exílio carinhoso, fizeram essa alegria do teu olhar misterioso.
E deram forma de sonho, em seu viver magoado, a essa estilo risonho do teu corpo bronzeado...
Que é bem e grácil maneira em que a volúpia se anima, - bailando duma fogueira queimando quem se aproxima!
A tua boca dolente, cicatriz de algum desgosto é um vermelho poente no lindo sol do teu rosto.
E os beijos que pronuncias são palavras dolorosas Teus beijos são tiranias são como espinhos de rosas...
Que me embriagam, amantes, no éter do seu perfume... Teus beijos são navegantes sobre as ondas do ciúme.
Os teus defeitos são graças desse mistério profundo... Saudade de duas raças que se abraçaram no mundo!

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E porque haverias de querer...
E por que haverias de querer minha alma Na tua cama? Disse palavras líquidas, deleitosas, ásperas Obscenas, porque era assim que gostávamos. Mas não menti gozo, prazer, lascívia Nem omiti que a alma está além, buscando Aquele Outro. E te repito: por que haverias De querer minha alma na tua cama? Jubila-te da memória de coitos e de acertos. Ou tenta-me de novo. Obriga-me.
(Hilda Hilst)
Primeiro suspiro

Arromba! Penetre entre as gretas que te enxergam Adentre pelos poros que veneram o teu suor no meu endoidecido...
Arromba! Por todos os meus lados puritanos tão virgens e tão castos, espartanos te engulo feito louca ao teu gemido...
Arromba! Teu gozo exploda em mim feito uma bomba debata-se e debata-se vencido calando o meu grunhir na tua boca...
E... depois da casa arrombada não reste mais nada por viver...
(Isabel Machado)
Elogio do Pecado

Ela é uma mulher que goza celestial sublime isso a torna perigosa e você não pode nada contra o crime dela ser uma mulher que goza
você pode persegui-la, ameaçá-la tachá-la, matá-la se quiser retalhar seu corpo, deixá-lo exposto pra servir de exemplo. É inútil. Ela agora pode resistir ao mais feroz dos tempos à ira, ao pior julgamento repara, ela renasce e brota nova rosa
Atravessou a história foi queimada viva, acusada desceu ao fundo dos infernos e já não teme nada retorna inteira, maior, mais larga absolutamente poderosa.
(Bruna Lombardi)

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SEIOS E ANSEIOS
Roberto Stavale
Teus seios nus e ardentes São dois fatores moldados São duas frutas maduras São caminhos do pecado... Quando os afago e beijo-os Tremulam meus predicados Libidos floram prementes Nos desejos despertados... Amargo quando os esconde Nas dobras do teu vestido Anseio logo tocá-los Na ânsia dos meus sentidos.

LOUCO POR TI
Walter Pereira Pimentel
Ao ver teu corpo despido Meu olhar “deita e rola”, Se descontrola Viaja, fica perdido!
Admiro e me extasio com o que vejo Ângulos, curvas, tudo perfeito! Não resisto! Te convido para o leito Teu corpo! Minha cobiça...meu desejo...
Nele tudo me leva ao desvario, A me sentir como um animal no cio, Teu cheiro, teu beijo, tudo quero sentir!
O amor irracional então aflora, age e assim Me transforma, fazendo de mim Um animal louco por ti!

DANÇANDO COM LOBA
Daniel Fiuza
Teu corpo moreno, Curvas perfeitas, Quanta musicalidade, Na tua sensualidade, um convite ao amor. Despertando pensamentos, Profanos e indecentes, loucuras imaginárias, Mexe com a sensibilidade.
Minha boca vermelha, No teu corpo moreno, Suprema exploradora Das tuas delícias. No teu pescoço de Chagal Faço carícia lingual.
Tua voz, vontade rouca, Arfante e quase louca, me pede pra parar, Mas, sem firmeza, cheia de tesão e desejosa, Diz que não tem certeza, Teu sorriso malicioso, Implora pra continuar.
Seios imponentes, Bicos de manjares, Meu sangue quente, meus carinhos insolentes, Segue a rota do sexo, No cheiro do sensual caminho.
Minha língua e minhas mãos, Passeiam no teu corpo moreno, Massageando teu veneno. Nossos corpos vibram suados, Flutuando no pecado, Contorcendo-se nos prazeres. Como uma loba no cio; Me chama, Uivando seu tesão na cama, Se roça e se esfrega, Se lambuza e se entrega, Na divina dança do amor.

http://www.romantichome.net/
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Mulher andando nua pela casa
Mulher andando nua pela casa envolve a gente de tamanha paz. Não é nudez datada, provocante. É um andar vestida de nudez, inocência de irmã e copo d'água.
O corpo nem sequer é percebido pelo ritmo que o leva. Transitam curvas em estado de pureza, dando este nome à vida: castidade.
Pêlos que fascinavam não perturbam. Seios, nádegas (tácito armistício) repousam de guerra. Também eu repouso.
Carlos Drummond de Andrade

Desejo
Vera Maya
essa brasa essa chama esse lume
esse fogo esse forno essa caldeira
ah, esse amor que arde incendeia
esse corpo essa fornalha essa fogueira
essa alma essa queimada que se alastra
em labareda me envolvo a noite inteira
ah, essa paixão me acende me inflama
me consome e me transforma em tocha huma.

Retrato Ardente
Entre os teus lábios é que a loucura acode, desce à garganta, invade a água.
No teu peito é que o pólen do fogo se junta à nascente, alastra na sombra.
Nos teus flancos é que a fonte começa a ser rio de abelhas, rumor de tigre.
Da cintura aos joelhos é que a areia queima, o sol é secreto, cego o silêncio.
Deita-te comigo. Ilumina meus vidros. Entre lábios e lábios toda a música é minha.
Eugenio de Andrade

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