Horas Rubras
Horas profundas, lentas e caladas
Feitas de beijos sensuais e ardentes,
De noites de volúpia, noites quentes
Onde há risos de virgens desmaiadas…
Ouço as olaias rindo desgrenhadas…
Tombam astros em fogo, astros dementes.
E do luar os beijos languescentes
São pedaços de prata p'las estradas…
Os meus lábios são brancos como lagos…
Os meus braços são leves como afagos,
Vestiu-os o luar de sedas puras…
Sou chama e neve branca misteriosa…
E sou talvez, na noite voluptuosa,
Ó meu Poeta, o beijo que procuras!
FLORBELA ESPANCA


Dá Surpresa de Ser
Dá a surpresa de ser.
É alta, de um louro escuro,
faz bem só pensar em ver
seu corpo meio maduro.
Seus seios altos parecem
(se ela estivesse deitada)
dois montinhos que amanhecem
sem ter que haver madrugada.
E a mão do seu braço branco
assenta em palmo espalhado
sobre a saliência do flanco
do seu relevo tapado.
Apetece como um barco.
Tem qualquer coisa de gnomo.
Meu Deus, quando é que eu embarco?
Ó fome, quando é que eu como?
FERNANDO PESSOA


Nas Ervas
Escalar-te lábio a lábio,
percorrer-te: eis a cintura
o lume breve entre as nádegas
e o ventre, o peito, o dorso
descer aos flancos, enterrar
os olhos na pedra fresca
dos teus olhos,
entregar-me poro a poro
ao furor da tua boca,
esquecer a mão errante
na festa ou na fresta
aberta à doce penetração
das águas duras,
respirar como quem tropeça
no escuro, gritar
às portas da alegria,
da solidão.
porque é terrível
subir assim às hastes da loucura,
do fogo descer à neve.
abandonar-me agora
nas ervas ao orvalho –
a glande leve.
EUGÉNIO DE ANDRADE

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Soneto de entrega
Amar é entregar. Tudo te dou. Não porque tu me pedes porque quero. Pois te sei livre em mim portanto espero em ti livre perder-me: aqui estou. Quero o grito o encanto o mel o vôo oceano e deserto reverbero sob o toque das mãos tuas: bolero só audível a mim quando em ti sou. Mais que flor ofertada aberta ao falo sou suor sou galope e contra-canto o teu corpo no meu corpo abrilhanto e em mil sóis saberei multiplicá-lo : gozo imenso eterniza a cavalgada e enrubesce de inveja a madrugada.
Marcia Maia
Tabua de Marés

 Ritual
Nas minhas estações
Tu és um ciclo
- interrompido –
de um tempo quando
me traduzias ao pé da letra
O que me toca
são outonos febris
de temporais que me assolam
em canções de dormir
Em mim, teu fogo,
a minha pele morna
onde o que é áspero é espera
verões e rios de faltas
desembocaduras de mim que vão embora:
como num ritual
bebo o teu ódio
- sumariamente -
embalada pelas tuas ausências.
Dira Vieira
Voando pelo céu da boca
Dois poeminhas
 - 1 -
tua boca tem um singular trejeito em que não vejo qualquer defeito e se teu corpo nos meus braços estreito meu jeito circunspecto eis que jaz desfeito arde-me um fogo voraz dentro de meu peito carrego-te ao mar de amores eternos do leito e te possuo fogoso num largo e indecoroso gesto afasta-se de mim tudo que me é indigesto dizes assim então:" tu és incorrigível perverso" e que de jeito nenhum e nem por sonho eu presto afogo-me em teu corpo um afogar macio desperto em ti o vulcão intimorato do cio esgota-se em mim o que me resta de pavio navego-te prestamente, és para mim navio enfim meu caudal irrompe volumoso e destemido e meu corpo jaz prostrado e inteiramente vencido pronto, entretanto, logo, logo depois de caído para uma segunda vez pois jamais será de fato vencido

- 2 -
pelos mares inexplorados do teu corpo navegam minhas atrevidas extremidades sem descanso e jamais achar conforto desconsiderando todas tolas vaidades enfrentam as vagas que ondulam em tua tez com extrema e assombrosa intrepidez descobrindo aqui e ali tropicais ilhas tão próximas e contudo tão separadas de prazer distantes muitas milhas que percorro, minhas velas todas enfunadas, arquipélagos de desejos que ali vibram e os lagos plácidos dos teus olhos equilibram escondendo os mais riquíssimos tesouros teus prazeres que me valem mais que ouro
Benno Assmann
Noites em claro

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Tirou-me a capa E escorreu-me sálivas. Pelo meu corpo Dedilhou o mapa. Percebi volúpias vivas Percorreu caminhos Até o meu porto. Em pensamento Me capta. Pré-sente os rodamoinhos Cérebro torto! Extasia-me naquele momento
Cherry
em....
Conversa de Mulheres

Alma
Alma,
tua cor hoje
será laranja.
dourado reflexo
de frutacor
entre os cabelos.
E o meu desejo
tolo ele
na cor lilás.
Virá nuvem bordada
entre luzes e franjas.
Ascenderá com o sol
ao som de boca sorrindo
alta e clara
para o infinito.
by Diana-Dru
Diana Dru, entre nós e laços


DESEJOS INTENSOS
É só falar com você Que já sinto que mexo contigo Teu jeito de falar De tentar disfarçar. Hoje estou como gosta Sensual Safada Sem vergonha Com desejo a flor da pele Quero te enlouquecer Quero satisfazer Suas mais loucas taras E fantasias Quero ouvir Você implorar Para sentir meu corpo Minha Boca Meu cheiro Meu gozo. Adoro te provocar Adoro ver sua cara de tesão Sabe que sou capaz Que sou a mulher que gosta Entre 4 paredes Isso te excita mais ... Deixa com a boca cheia d´água Mordendo os lábios Com um tesão inexplicável Um dia vai ter Nas suas mãos O que hoje tem apenas Nas imaginações...
(Rosane Lima)
Sensualidade e Atualidade
************ Lindo dia dos Namorados para todos nós.....beijos, amor...
************
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Poetas além mar...

Posse Intemporal
Fazer amor contigo não é espelhar teu corpo nu no vítreo do meu espaço não é sentir-me possuída ou possuir-te
É ir buscar-te ao abismo de milénios de existência e trazer-te livre.
Manuela Amaral

Grito de Amor
Meu Amor! Meu Amor! Mas por que não hei-de ser para ti a terna amante que tu tanto desejas, delirante, em horas de abandono e exaltação?!
É teu todo este amor. Meu coração que por ti pulsa em sonho inebriante guarda-te um beijo audaz, febricitante, beijo feito de fogo e paixão!
O mundo fala! Mas que importa o mundo se dentro do meu peito, onde nasceu, existe um grande amor louco e profundo?!
Oh! Vem prender-me num abraço teu... Que, neste mar de sonho em que me afundo quero sentir teu corpo junto ao meu!...
Helena Verdugo Afonso
 Gozo
Desvia o mar a rota do calor e cede a areia ao peso desta rocha Que ao corpo grosso do sol do meu corpo abro-lhe baixo a fenda de uma porta e logo o ventre se curva e adormece e logo as mãos se fecham e encaminham e logo a boca rasga e entontece nos meus flancos a faca e a frescura daquilo que se abre e desfalece enquanto tece o espasmo o seu disfarce e uso do gozo a sua melhor parte
Maria Teresa Horta

Esses lindos poemas além mar...são dedicados hoje a minha amiga amada, "Kinha" ...a querida e temperamental Borbolet@ @zul...amiga de longa data, que também tem seu blog "Rompendo crisálidas...". Amiga de longa data, que está sempre ao meu lado, "na alegria ou na tristeza"...é assim que se escreve, não é? Pois bem, é minha amada irmã, que está sempre segurando minha mão quando é preciso e isso em uma amizade é o que importa, sem interesses...só com o amor e carinho...beijos zurr linda ...mittus...muito...

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