
DIÁRIO DA SOLIDÃO
I
em meu quarto as aflições se igualam democraticamente.
deito-me sem conseguir reconhecer, entre tantas ausências, o pouco que ainda me resta para sonhar.
minha cama é uma ilha cercada de angústia por todos os lados.
II
desfaço-me com os olhos pregados no teto.
(o sono nunca vem quando preciso).
conto carneiros, penso besteira. e meu corpo, completamente desperto, dói a dor de quem não encontra uma mão sobre um seio, o sexo duro, uma perna entre as pernas.
meu gemido é quase um lamento.
III
segundo alguns manuais, a solidão é caminho para o auto-conhecimento.
danem-se todos. estar só é desconhecer outro lado vivo de mim.
o espelho, no canto do quarto, anda embaçado de tanto escutar minhas queixas.
não preciso abrir a janela para saber que a lua está cheia.
uivo.
e este uivo é apelo.
mariza lourenço


vinte e uma horas
(uma tarde. uma noite. uma manhã)
(...)
e toda a ânsia foi engolida pelas horas e pelo homem.
dentro de mim.
dentro dele, o amor, com todos os seus fins, justificou as minhas esperas.
dentro de mim, as previsões de nosso signo desmentiram as incertezas de sempre.
há tempos.
a mandala movimentou-se feito vento e por vinte e uma horas todas as casas escancararam suas portas.
era o mar invadindo o céu. com todos os seus propósitos.
era o homem dentro de mim e sua paixão latejando em minha boca. e minha língua inteira estancando o futuro. tão dolorosamente incerto.
ainda.
por vinte e uma horas minha nudez flutuou à sua frente. e o homem, de olhos bem abertos, agarrou-se às lembranças que viriam.
era o sol desafiando a lua. com todos os seus segredos.
minha nudez em seu colo.
meu corpo em sua cama.
minhas pernas abertas, abraçando-lhe o pescoço.
uma flor inteira.
uma mulher de quatro. úmida.
e o amor. mais antigo que as nossas rimas.
por vinte e uma horas foi tudo o que o homem quis.
e teve
:de mim.
mariza lourenço
http://marizalourenco.blogspot.com/
li pela primeira vez..Mariza Lourenço
no blog do Dácio, "Chega Mais" ..
adorei..e passo para vcs...bjus..
o poema Escrava de autoria de Mariza Lorenço...original....em tempo, Mariza..eu agradeço voce...bjus...

Escrava Teu poema, inclemente, me encarcera, umedecendo, de gozo, os meus versos. Espancando, com a pena, as minhas rimas, se assanha, feito bicho, entre meus seios. Teus dedos em tuas mãos; ágeis tentáculos, aprisionam de vez minhas vontades, deixando-me à mercê dos teus domínios, amarrando-me os pulsos, como escrava. O ar que me vem é da tua boca. Meus gemidos, quem sufoca é tua língua. Teu verbo, desconexo aos meus ouvidos, me faz louvar - indecente - o teu nome. Em minha barriga, passeia impune, o teu falo. Sob teu corpo, o meu, é prazer e desgoverno. Entre minhas coxas, tu desenhas a tua fúria, em teu pescoço, cravo dentes de poesia. Mariza Lourenço

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Sensual
Ainda sinto o teu corpo ao meu corpo colado; nos lábios, a volúpia ardente do teu beijo; no quarto a solidão, desnuda, ainda te vejo, a olhar-me com olhar nervoso e apaixonado...
Partiste!... Mas no peito ainda sinto a ânsia e o latejo daquele último abraço inquieto e demorado... - Na quentura do espaço a transpirar pecado, Ainda baila a figura estranha do desejo...
Não posso mais viver sem ter-te nos meus braços! - Quando longe tu estás, minha alma se alvoroça julgando ouvir no quarto o ruído dos teus passos...
Na lembrança revejo os momentos felizes, e chego a acreditar que a minha carne moça na tua carne moça até criou raízes!...
( J. G. de Araujo Jorge - coletânea - in "Poemas do Amor Ardente" 1961 )


agradeço a Gazeta do Blogueiro pelo destaque...


Teus seios
Teus seios... quando os sinto, quando os beijo na ânsia febril de amante incontentado, são pólos recebendo o meu desejo, nos momentos sublimes de pecado...
E às manhãs... quando acaso, entre lençóis das roupagens do leito, saltam nus, lembram, não sei, dois lindos girassóis fugindo à sombra e procurando a luz!...
Florações róseas de uma carne em flor que se ostenta a tremer em dois botões na primavera ardente de um amor que vive para as nossas sensações...
Túmidos... cheios... palpitantes, como dois bagos do teu corpo de sereia, tem um rubro botão em cada pomo como duas cerejas sobre a areia...
Quando os tenho nas mãos... Quantas delícias!... Arrepiam-se, trêmulos , sensuais, e ao contato nervoso das carícias tocam-me o peito como dois punhais!...
Meu lúbrico prazer sempre consolo na carne destas ondas revoltadas, que são como taças emborcadas no moreno inebriante do teu colo...
(Poemas de J. G. de Araujo Jorge, extraídos do livro Poemas do Amor Ardente - 1961)

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Permissão
Não sei quantos 'graus', apenas sei que estou febril por teu desejo que me corta e refaz a mulher-desejo que te quer... (Mais do que deveria).
(Eliane Alcântara)
Lingua
Nem que eu deseje um beijo apenas hei de calar a saliva que te chama a cama.
(Eliane Alcântara)
Estado patológico
Não chegue com alardes Nem mesmo venha com dúvidas Ou reticências que me façam subentender Teu fogo de amar. Chegue mansinho com o corpo em chamas E a boca decorada de palavras Que derrubem as barreiras Que eu possa criar. Não peça licença para atirar-me na cama Nem calcule minha entrega. Encoste-me na parede, Desabotoe minha volúpia Comendo meu olhar. Aplaque com teu falar Meu gemido profundo Com obscenos atos. Não tenha medo do doar Ou escorregarei por teus deslizes Desaprendendo a desejar. Crave teus dentes em minha fome Alisando meu lado louco Por tuas seduções insanas E fico, paciente frágil, De teus diagnósticos - prazerosos.
(Eliane Alcântara)
visitem se puderem...eu adoro os escritos dela...acho sensacional Eliane Alcântara
http://elianealcantara.zip.net/
http://www.leituraatualfases.blogger.com.br/
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Tutti-fruti
Teu toque é fruta-pão quando tua pele toca minha pele eriça meus pelos e sentidos me perdendo em êxtases
Teu sorriso é fruta-de-condessa que abocanho sem reservas deixando escorrer néctares supra-sumo de todos os desejos
teu ciúme é fruta-de-sabiá a envenenar à minha volta destruindo todas as sementes e mexendo com meu sossego Teu corpo é juçara a renovar energias saciar minha sede e minha fantasia Teu beijo é maçã a insinuar pecado na mistura de línguas a inflamar sentidos Teu sexo é fruto proibido o sabor eu não digo pois vocês não têm idade pra tamanha curiosidade
Regis Marques

Amantes
I
língua em círculos avança tórrida vencendo a imobilidade mórbida a boca expele palavras sórdidas derrota toda a fidelidade sólida
II
minha boca roça a peça íntima que cai com resistência ínfima desaba ao chão em prece tímida rasgando toda sua nudez cínica
III
músculos e nervos em decúbito vencem timidez e hímen túrgido se vai a sensatez no gesto lúdico com um último gemido fúlgido
IV
ancas, pélvis e púbis simétricos se encaixam em atos herméticos virgem mancha avança herética nos lençóis de brancura asséptica
Regis Marques
http://poesiasecia.zip.net/

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 Duplar
eu e você deixar a boca resvalar para a outra boca no beijo úmido intenso, ávido
duplar eu e você em par em perna em mão em coração batendo lírico, lúcido ímpeto de estar de entrar sair ficar entrar gozar em par
duplar em voz em beijo sôfrego em língua úmida nos seios túrgidos duplos pêssegos bicos tépidos
duplar em olhos cúmplices em mãos de artífice na pele ardente nas mucosas cálidas límpidas, púrpuras em pernas escancaradas envolventes sobre as costas pálidas
duplar eu em você em secreções, saliva você em mim em contrações espamos múltiplos nós dois como um barco à deriva sem hora ou lugar para chegar
duplar eu em você você em mim ávidos máximos gozar em par de modo ímpar até ficarmos fartos cansados tontos de orgasmos múltiplos tantos únicos
duplar eu em você dormir e nem perceber o corpo sorrir.
Jovem Senhor

esse poema é de nosso amigo Jovem Senhor...um dos blogs mais quentes que visito...clica na figura ali...e visite..vai adorarrrr....afff....


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Surpresa
José Cardoso
Não tente adivinhar, o que se passa em minha mente, com esse jeito de carente, em olhares me fitando, doidivanas pra saber, o que devo estar pensando, quais manobras preparando, pra esquentar ainda mais, nossos longos rituais, que se estendem noite à dentro, num frenesi violento......
Não adianta disfarçar, pois teu modo de beijar, já está a delatar, que por dentro estás tremendo, com a excitação corroendo, imaginando as loucuras, folias e diabruras, que estou a planejar, para o ato inovar, buscando em brincadeiras, encontrar muitas maneiras, para orgasmos alcançar, e o prazer se prolongar...... Você pode insistir, manhosamente pedir, que eu fale o que há por vir, mesmo assim não te direi, o que hoje preparei, pra nossa ardorosa entrega, desmedida e sem regra, que diferente fizemos, desde que nos conhecemos, no intuito de manter, o furor sempre a crescer, de modo ousado e abrasivo, num fogaréu sempre ativo......
Darei-lhe algumas pistas, esta noite não te vistas, e após o banho tomar, vá pra sala repousar, aguardando-me chegar, ponha música a tocar, que te faça despertar, uma ânsia aventureira, de doar-se por inteira...... Deixe a casa à meia luz, num ambiente que seduz, e ainda assim despida, prepare nossa comida, pondo a mesa para dois, já ardente imaginando, o que pode vir depois...... Chegarei bem de mansinho, cheio de amor e carinho, com o tesão dominando, os nervos se dilatando, na ereção demonstrada, sob a calça estufada...... Vou tomar-lhe em meus braços, para entre beijos e amassos, teu corpo todo explorar, com minha boca passear, por teus seios, por teu sexo, fazendo-a perder o nexo, e para tua surpresa, vou deitá-la sobre a mesa, pois a fome se agiganta, e hoje serás minha janta......

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Concierto a puertas cerradas
Tomás Castro
Con estas manos hechas para ti quiero uno a uno tocar los instrumentos de tu cuerpo
al palparte me salen tonos partituras música en fin de todas partes
se precisa un golpe de batuta para tocarte sin desafinar
estás llena de violines en ti los pájaros ensayan sus últimas canciones en ti debuta una alta fidelidad que termina entre mis dedos haciéndote fraterna
amo tus instrumentos cuando me inundas de sonidos cuando tu cuerpo me nombra el músico más grande
que nadie se sienta herido – ni bach ni beethoven ni los trompetistas del juicio final –
eres un concierto que sólo yo puedo tocar.


Cuerpo de mujer...
Pablo Neruda
Cuerpo de mujer, blancas colinas, muslos blancos, te pareces al mundo en tu actitud de entrega. Mi cuerpo de labriego salvaje te socava y hace saltar el hijo del fondo de la tierra.
Fui solo como un túnel. De mí huían los pájaros y en mí la noche entraba su invasión poderosa. Para sobrevivirme te forjé como un arma, como una flecha en mi arco, como una piedra en mi honda.
Pero cae la hora de la venganza, y te amo. Cuerpo de piel, de musgo, de leche ávida y firme. ¡Ah los vasos del pecho! ¡Ah los ojos de ausencia! ¡Ah las rosas del pubis! ¡Ah tu voz lenta y triste!
Cuerpo de mujer mía, persistiré en tu gracia. Mi sed, mi ansia si límite, mi camino indeciso! Oscuros cauces donde la sed eterna sigue, y la fatiga sigue, y el dolor infinito.


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